O verão já está praticamente aí, o que significa que podemos esperar de tudo aqui em Miami: desde dias intermináveis na piscina até tempestades no final da tarde e… bem, sargaço. E os especialistas dizem que o sul da Flórida vai ter um ano recorde dessa alga marrom.
De acordo com a última previsão da Universidade do Sul da Flórida, 28,9 milhões de toneladas métricas de sargaço estão à deriva pelo Atlântico, se acumulando nas praias dos EUA e do Caribe. Embora as algas cheguem à costa todo ano entre a primavera e o verão, espera-se que a quantidade aumente em 2026 e possa bater um recorde.
Mas a maior reclamação não é só a aparência; é o cheiro. Quando fica na areia quente por 48 horas, o sargaço se decompõe e libera sulfeto de hidrogênio, que produz um odor parecido com o de ovos podres. Embora não haja perigo imediato para a população, esses gases podem irritar os olhos, o nariz e a garganta, principalmente para quem tem problemas respiratórios, como asma.
O Departamento de Saúde da Flórida alerta para que você não toque nessas pilhas de algas, pois elas se tornam criadouros de bactérias e insetos que picam, como larvas e piolhos-do-mar. Elas também podem prender águas-vivas, o que causa picadas dolorosas e bolhas ao entrar em contato.
O que está sendo feito a respeito disso?
Cidades por toda a costa estão intensificando os esforços de limpeza, muitas vezes usando tratores especiais para varrer as praias, tomando cuidado para não perturbar os ninhos de tartarugas marinhas. Em Miami-Dade, a remoção do sargaço representa cerca de US$ 9 milhões do orçamento anual de manutenção das praias, para garantir que elas fiquem em boas condições para moradores e visitantes.

A prefeitura de Miami Beach coordena com o Departamento de Parques do Condado de Miami-Dade o uso de equipamentos adequados para praias, a fim de espalhar o sargaço diariamente ao longo da praia de 7,5 milhas. Mas, antes dos trabalhos de limpeza, o Programa de Tartarugas Marinhas do Departamento de Parques do Condado de Miami-Dade faz um levantamento nas praias em busca de ninhos e filhotes.
No condado de Broward, a remoção do sargaço varia entre compostagem, enterramento e descarte no interior. Os programas municipais de manutenção das praias incluem a varredura mecânica da areia, uma atividade regulamentada por licenças do Departamento de Proteção Ambiental da Flórida (FDEP), com o objetivo de proteger tartarugas marinhas, aves costeiras e habitats de nidificação.
Por que esse aumento repentino de sargaço?

Embora o sargaço tenha um papel importante no oceano aberto, os pesquisadores notaram um aumento no seu crescimento geral desde 2011. Isso é causado principalmente pelo influxo de nutrientes agrícolas, como nitrogênio e fósforo, que são despejados por grandes rios (como o Amazonas e o Orinoco) nas águas tropicais quentes. Nesse novo ambiente, o aumento da temperatura do mar prolongou a estação ideal de crescimento da alga.
Esse fluxo é intensificado por ventos e correntes variáveis que provocam afloramentos, trazendo nutrientes das profundezas do mar para a superfície e criando um ciclo de crescimento autossustentável em todo o oceano.
Se você quiser acompanhar a proliferação atual na Flórida e além, acesse a ferramenta de Risco de Inundação por Sargassum da NOAA aqui.